4 de set de 2013

UM OUTRO ALPHONSUS:


O projeto “O autor na Academia” recebe o
escritor e membro da Academia Brasileira de Letras,
Antonio Carlos Secchin,  
na AML, para um encontro com o universo de
Alphonsus de Guimaraens

“O autor na Academia”, projeto realizado pela Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 – Centro - BH - MG), com o apoio da FIAT, receberá no dia 11 de setembro, quarta-feira, às 19h, o escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Carlos Secchin.

Na palestra “Um outro Alphonsus”, Secchin apresentará perspectivas pouco exploradas na obra de Alphonsus de Guimaraens, a partir  da leitura do poema  “A cabeça de corvo” In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Kiriale. Porto: Typographia Universal, 1902. p.11-2.

Vale destacar que Alphonsus de Guimaraens foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras. O Palacete Borges da Costa, atual sede da Academia é cognominado Casa de Alphonsus de Guimaraens.

No dia do evento, 100 (cem) exemplares do livro o livro “Memórias de um leitor de poesia (2010), Editora TopBooks,  de Antônio Carlos Secchin estarão à venda pelo preço simbólico de R$5,00 (cinco reais) e o escritor estará disponível para autógrafos.
“O autor na Academia” tem entrada franca e visa aproximar o público leitor da realidade dos autores, através da Academia Mineira de Letras que abre suas portas para compartilhar cultura e arte.  O projeto concede certificado de participação para alunos universitários. Informações adicionais: 3222 5764.
ANTONIO CARLOS SECCHIN
Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro.   É professor emérito da UFRJ e Doutor em Letras pela mesma Universidade. Poeta com seis livros publicados, destacando-se Todos os ventos (poesia reunida, 2002), que obteve os prêmios  da Fundação Biblioteca Nacional,  da Academia Brasileira de Letras  e do PEN Clube para melhor livro do gênero  publicado no país em 2002.  Ensaísta, autor de João Cabral; a poesia do menos, ganhador de três  prêmios nacionais, dentre eles o Sílvio Romero, atribuído pela ABL em 1987. Em 2010, publicou Memórias de um leitor de poesia. Atualmente é um dos curadores da reedição da poesia de Carlos Drummond de Andrade, publicada pela Cia.das Letras. Proferiu mais de quatrocentas palestras em vários estados do país  e no exterior. Foi Professor convidado das Universidades de Barcelona, Bordeaux, Califórnia, Lisboa, Mérida, México, Los Angeles, Nápoles, Paris (Sorbonne), Rennes e Roma. Autor de centenas de textos (poemas, contos, ensaios) publicados nos principais periódicos literários brasileiros e internacionais. Eleito em junho de 2004, tornou-se  à época   o mais  jovem membro da Academia Brasileira de Letras.

ALPHONSUS DE GUIMARAENS
Alphonsus de Guimaraens, pseudônimo do escritor brasileiro Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho de 1870  Mariana, 15 de julho de 1921) era filho de Albino da Costa Guimarães, comerciante português, e de Francisca de Paula Guimarães Alvim, sobrinho do poeta Bernardo de Guimarães. Matriculou-se em 1887 no curso de Engenharia. Perdeu prematuramente a prima e noiva Constança, o que o abalou moral e fisicamente. Foi, em 1894, para São Paulo, onde matriculou-se no curso de Direito da Faculdade do Largo São Francisco, voltou a Minas Gerais e formou-se em direito em 1894, na recém inaugurada Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, que na época funcionava em Ouro Preto. Em São Paulo, colaborou na imprensa e freqüentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza, poeta do qual já admirava e tornou-se amigo pessoal. Também foi juiz substituto e promotor em Conceição do Serro (MG). No ano de 1897, casa-se com Zenaide de Oliveira. Posteriormente, em 1899, estreou na literatura com dois volumes de versos: Septenário das dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente, e Dona Mística; ambos de nítida inspiração simbolista. Em 1900 passou a exercer a função de jornalista colaborando em "A Gazeta", de São Paulo. Em 1902 publicou Kyriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Guimaraens; esta obra o projetou no universo literário, obtendo assim um reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e amigos mais próximos. Em 1903, os cargos de juízes-substitutos foram suprimidos pelo governo do estado; consequentemente Alphonsus perdeu também seu cargo de juiz, o que o levou a graves dificuldades financeiras.Após recusar um posto de destaque no jornal A Gazeta, Alphonsus foi nomeado para a direção do jornal político Conceição do Serro, onde também colaboraria seu irmão o poeta Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Em 1906, tornou-se Juiz Municipal de Mariana, MG, para onde se transferiu com sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve 15 filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus (1901-44) e Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008).Devido ao período que viveu em Mariana, ficou conhecido como "O Solitário de Mariana", apesar de ter vivido lá com a mulher e com seus 15 filhos. O apelido foi dado a ele devido ao estado de isolamento completo em que viveu. Sua vida, nessa época, passou a ser dedicada basicamente às atividades de juiz e à elaboração de sua obra poética.
Alphonsus de Guimaraens figura, com destaque, entre os nomes dos fundadores da Academia Mineira de Letras – AML
Principais Obras de Alphonsus de Guimaraens: Setenário das Dores de Nossa Senhora, Câmara Ardente, Dona Mística, Kyriale, Mendigos, Ismália". Póstumas Pastoral aos crentes Escada de Jacó Pulvis Salmos Poesias Jesus Alponsos

A CABEÇA DE CORVO   

Alphonsus de Guimaraens
Na mesa, quando em meio à noite lenta
Escrevo antes que o sono me adormeça,
Tenho o negro tinteiro que a cabeça
De um corvo representa.

A contemplá-lo mudamente fico
E numa dor atroz mais me concentro:
E entreabrindo-lhe o grande e fino bico,
Meto-lhe a pena pela goela adentro.

E solitariamente, pouco a pouco,
De bojo tiro a pena, rasa em tinta...
E a minha mão, que treme toda, pinta
Versos próprios de um louco.
E o aberto olhar vidrado da funesta
Ave que representa o meu tinteiro
Vai-me seguindo a mão, que corre lesta,
Toda a tremer pelo papel inteiro.

Dizem-me todos que atirar eu devo
Trevas em fora este agoirento corvo,
Pois dele sangra o desespero torvo
Destes versos que escrevo.

A cabeça de corvo. In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Kiriale. Porto: Typographia Universal, 1902. p.11-2.

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