2 de mai de 2013

FLAUTISTA DO REI - ANIBAL TEIXEIRA LANÇA AUTOBIOGRAFIA


O ex-Ministro do Planejamento Aníbal Teixeira realiza, no dia 23 de maio, quinta-feira, às 20h, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 - Centro - Belo Horizonte/ MG), a noite de autógrafos de sua autobiografia “Flautista do Rei – uma história de vida”.
Aos 80 anos, Aníbal Teixeira escreve e documenta sua trajetória no melhor estilo “lavando a alma”. Compartilha conosco sua história pessoal e documenta sua história profissional, da formação às lideranças várias, as ações políticas - em governos emblemáticos como os de JK; sua amizade e parcerias com Tancredo Neves; o Ministério, no Governo Sarney, em que alcançou a casa de 45 mil projetos executados – a trajetória empresarial e a vida de lutas, acima de calúnias, culminando em vitórias que comprovaram inocência por unanimidade no Supremo Tribunal Federal, na Comissão de Justiça da Câmara e no Plenário, com 92% dos votos.

São quase 500 páginas de história, da qual participou diretamente, ocupando 16 cargos e 4 mandatos de Deputado. A edição é amplamente ilustrada, traz imagens inéditas e documentais, além de gráficos e outros elementos que passam a limpo histórias polêmicas. No título "Flautista do Rei", o bom humor do autor retoma uma figura anedótica que, em hora e lugares errados, paga por pecados e falhas dos outros.
Atualmente, na presidência do Instituto JK, Aníbal desenvolve programas Sociais e Culturais diversos, tais como: "Bibliotecas Móveis" e "Difusão da Mamografia", em parceria com o Hospital Mário Pena e os Seminários de Transporte e Logística, e, atualmente o de Energia, para o Congresso Nacional. O profissional permanece em plena atividade, revelando-se enciclopédia viva e testemunhal de importantes momentos da história brasileira.

FLAUTISTA DO REI

Vizinho de Tancredo por 12 anos, com ele, articulou a redemocratização. Anibal conta sua vida - da presidência de cinco entidades estudantis, inclusive a Ubes, ao Ministério do Planejamento.

Cassado, perseguido e espionado pelos militares por decênios, Anibal mostra os bastidores de 30 anos de vida brasileira. Com documentos e dados do SNI, KGB e CIA, revela o outro lado de 1964.

No roteiro, as lutas, cassação e exílio. A vida empresarial, elaborando 290 projetos industriais e plantando 42 milhões de árvores, o equivalente a 30 mil campos de futebol.
No ministério, em 15 meses, outra revolução. O Programa do Leite para 8 milhões de crianças. Merenda escolar para 32 milhões. Vale-transporte e refeição, seguro desemprego e 314 mil casas populares por 60% do preço do BNH. Os depoimentos de Juscelino, Tancredo e Sarney sobre Anibal estão no livro.

Sua vitória sobre as calúnias. Inocência por unanimidade no Supremo Tribunal Federal, na comissão de justiça da câmara e no plenário, com 92% dos votos.

Contas sem nenhum reparo ou necessidade de esclarecimento em 25 anos de vida pública, conforme o Tribunal de Contas da União.

Como Deputado e Ministro, teve redução de 480 mil dólares no patrimônio.

Os bastidores de 64, da redemocratização e retomada democrática. Minas, em duas conspirações, aceita a luta no terreno inimigo: o Colégio Eleitoral. Anibal conta a química da vitória e as resistências da esquerda e direita.

O SNI e órgãos de repressão juntaram 10 caixas especiais de documentos sobre o Ministro – 330 relatórios, escutas telefônicas e 11.600 cheques e documentos. De tudo, o relatório final a justificar a cassação de seu mandato:

"Contrarrevolucionário exaltado, juscelinista fanático, reacionário, fez severas críticas aos oficiais do exército encarregado do IPM. Atacou, por várias vezes, o Presidente da República, acusando-o de transformar o país numa ditadura. Defendeu os Bispos do Nordeste, participou de comissão que iria visitar JSQ em Corumbá. Constam dados de qualificação".

Temos, na autobiografia, a história contada por quem coordenou Informação e Contrainformação nos dois movimentos mineiros, em 64 e na redemocratização.

Alguns olhares de Aníbal Teixeira, em “Flautista do Rei”:

“CRIANÇAS DE MUITOS PAIS”
Para Anibal, os chamados programas sociais de massa têm muitos “pais”, mas foram fruto de iniciativas diversas. No governo anterior a JK, as frentes de trabalhos nordestinas e obras contra a seca. Com JK, as sugestões dos Bispos do Nordeste, executadas por Anibal no antigo Inic. Foram quase 1,5 milhão de nordestinos atendidos – com médicos e dentistas, 511 mil; hospedagem, 224 mil; emprego, 240 mil; transporte e atendimento social a 530 mil. Após o governo militar, que não queria dividir o bolo, também ação social de massa com Sarney e Anibal. Programa do Leite diário, para 8.400.000 (oito milhões e quatrocentos mil) crianças, com redução, em 3 anos, de 32% na mortalidade infantil. Casas, construídas em mutirão para 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil) pessoas, somando 314 mil residências, por 60% do preço do BNH. Mais 45 mil projetos comunitários, cesta básica, vale-transporte e refeição, além do seguro desemprego. "A vitória tem muitos 'pais' e a derrota é órfã", dizia Napoleão. "Vale comemorar hoje", diz Anibal, "o Bolsa Família, que redime os pobres e dá força ao mercado interno". Quanto à paternidade dos programas, o assunto é outro, mais vale comemorar sem buscar paternidades discutíveis.

SÃO PAULO E GOLPE DE 64
O movimento de 1964, feito por Minas, quase desmoronou em razão da posição de São Paulo. O Ex-Ministro Anibal Teixeira revela, em sua autobiografia editada agora, quando completa 80 anos, fatos curiosos. A posição do Governador Ademar de Barros foi inflexível. Minas deixou São Paulo só na revolução constitucionalista de 32 e Ademar só apoiaria Minas depois da ação militar iniciada. Kruell, no entender de Ademar, estava fechado e fiel a Jango e, ainda, iria falar ao Presidente para contornar o problema em Minas. Por outro lado, Ademar recomendou, aos emissários de Magalhães Pinto e General Guedes, não informar nada aos Americanos, pois eles haviam comunicado ao Governo Jango que São Paulo estava comprando, no mercado negro, armas médias e até pesadas para a polícia paulista.

RAZÕES DO SNI
Durante dezenas de anos, o SNI espionou e acompanhou Aníbal Teixeira.
Anibal recebe, então, os relatórios desse órgão a seu respeito. Eram 10 caixas: 330 relatórios e 11 mil documentos. As razões de cassação são sintéticas, resumidas pela SNI conforme o texto seguinte:
"Contrarrevolucionário exaltado, juscelinista fanático, reacionário, fez severas críticas aos oficiais do exército, encarregado do IPM. Atacou, por várias vezes, o Presidente da República, acusando-o de transformar o país numa ditadura. Defendeu os Bispos do Nordeste, participou de comissão que iria visitar JSQ em Corumbá. Constam dados de qualificação."
No informe do SNI, Anibal é apontado como reacionário, pois reagiu aos militares e à ditadura.

MÃO DE OBRA ESTRANGEIRA
Em sua autobiografia, o Ex-Ministro Anibal Teixeira lembra o desafio de mão de obra qualificada no Governo JK. Como Diretor do Instituto de Imigração, responsável por Emprego e Imigração, Anibal procurou suprir a indústria automobilística, ferroviária e naval, de mão de obra qualificada. Com o Senai e Senac, dos quais foi diretor, intensificou a formação profissional. Com as comissões de seleção no exterior - para as quais designou um Diplomata competente, o Antônio da Silveira, depois Ministro do Exterior - só em 1957, providenciou 103 mil profissionais. O desafio volta à tona com demandas de pessoal para o petróleo, construção naval e química. Entre os formados para atender à indústria automotiva, vindo como migrante do Nordeste, estava o Presidente Lula, que lembra, com orgulho, do diretor Anibal.

REFORMA AGRÁRIA PIONEIRA COM JK
Por recomendação dos Bispos do Nordeste, relata Anibal, "fizemos, no Governo JK, a experiência-piloto da Reforma Agrária. Ela foi muito mais executiva e proveitosa para os sem-terra e migrantes que para os atuais assentamentos". A reforma agrária foi aplicada em dois milhões de hectares. Foram 32 polos em 16 Estados. Os sem-terra atendidos, 262 mil, no ano de 1958, produziram um milhão e oitocentos mil toneladas de alimentos. Os exemplos estão aí: Jaíba, Petrolina, UNA e mais 3 dezenas. Só de exportação, temos 800 milhões de dólares. “É pena que o exemplo não prosperou e o assunto virou tema ideológico e político”, comenta Anibal Teixeira.

“MINISTÉRIO SOBRANDO”
Aníbal Teixeira fala de sua atuação na gestão com JK, nos grupos executivos, e com Sarney, na Secretaria de Ação Comunitária. Sem Ministério, no governo JK, foi implantada a indústria automobilística, naval e química. Anibal participou dos grupos executivos. Com JK, também participou de um início de reforma agrária, com terra para 260 mil e assentamentos, em Jaíba e Petrolina, que exportam, hoje, 300 milhões de dólares de frutas, além de vinho. Convidado para criar e assumir o Ministério da Ação Social, Anibal, então Deputado, sugeriu evitar o Ministério e foi feita a Secretaria de Ação Comunitária. Resultados revolucionários: em 15 meses, leite para 8 milhões de crianças e 314 mil casas, além de vale-transporte e refeição. Criar mais Ministérios é burocracia improdutiva, que, no dizer de Balzac,“é a cortina entre o bem por fazer e quem o pode ordenar”. O empresário Gerdau alertou o Governo sobre o assunto. Napoleão dizia que um estadista pode comandar diretamente apenas 7 pessoas. A administração moderna eleva o mínimo para 12, com a informática e logística. Ter 40 Ministros é desprezar as normas gerenciais. Tanto assim que os Ministros atuais ficam um ano sem falar com o Presidente.

JURAMENTO DE ANIBAL
Em sua autobiografia, o Ministro Anibal Teixeira relata um juramento que fez e registrou em livro, em 1950, quando tinha 18 anos, inspirado no juramento do guerreiro Cartaginês de ódio a Roma. O Anibal mineiro, vendo fotos de crianças nordestinas, subnutridas, promete acabar com aquela situação. Deus ajudou e, no Instituto de Migração, no Governo de JK, no planejamento com Sarney, distribuiu leite para 8 milhões de crianças, além de 32 milhões de merendas escolares. Valeu o juramento! Na obra, elogia, com carinho, o Bolsa-Família e sua função social nesta atual "seca do Nordeste".



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