15 de set de 2012

MORRE HELENA PENNA

Gratidão pessoal à imprensa e amigos que tanto apoiaram Helena durante esta luta.
Que ela descanse na luz do amor e da beleza transparente do seu sorriso. Minha imagem de Helena será a da alegria que expressou, ainda em sua cadeira de rodas e cercada de médicos, na porta central interna do lotado Grande Teatro do Palácio das Artes, onde, com a linha do palco que cantou por ela, formava a pirâmide do amor e da solidariedade que ela própria nos ensinou. Imagem que registrei na foto a seguir.Todo amor, Helena!

Depois de longa enfermidade decorrente do diabetes e de três AVCs, a cantora Helena Penna morreu na noite de sexta-feira, no Hospital da Unimed, onde estava internada há várias semanas. O velório está sendo realizado neste sábado, no Bonfim, e o sepultamento será às 15h30, no Cemitério da Paz.
Helena nasceu em São Bernardo do Campo, SP, e se mudou muito cedo com a família para Diamantina, onde cresceu ao som das tradicionais serestas. Já em Belo Horizonte, tornou-se cabeleireira, formou-se em História, estudou técnica vocal, cantou em coral, bares, teatros e praças.
Em meados da década de 1980, integrou o Grupo Tecla – Teatro Clube da Amizade, sob a direção do teatrólogo Wenceslau Coimbra Filho. Atuou em espetáculos premiados como “Morte e Vida Severina”, “Chico Viola” e “Chico Rei”, participou de filmes e comerciais de TV. Em 1995, gravou o disco “Marias”, com o qual conquistou o Prêmio Sharp de cantora revelação da MPB. Em 1997, lançou o CD “Belôricéia”, em homenagem ao centenário de Belo Horizonte.
Em 12 de julho deste ano, vários músicos realizaram o show “Todos por Helena Penna”, lotando o Grande Teatro do Palácio das Artes com o objetivo de angariar fundos para ajudá-la nas despesas do longo tratamento. Na ocasião, lançaram a “Coletânea Helena Penna”, reunindo algumas de suas melhores interpretações. A iniciativa foi do escritor Jorge Fernando dos Santos, com apoio dos músicos Geraldo Vianna, Jairo de Lara e do assistente de produção Tão Rodrigues.
A família contou com a ajuda de amigos e fãs da cantora para cobrir despesas com o tratamento e isso levou os músicos a realizarem o show em sua homenagem. Participaram do evento 38 artistas mineiros, entre eles Toninho Horta, Vander Lee, Amaranto, Fernando Brant, Chico Lobo, Dona Jandira, Kadu Vianna, Ladston do Nascimento, Lígia Jacques, Waldir Silva, Ausier Vinicius, Célio Balona, Rodrigo Delage, grupo Tempera Viola, entre outros.
A carreira coroada com o Prêmio Sharp não foi suficiente para garantir à cantora o devido sustento na dor e na doença. Vítima de diabetes, Helena Penna sofreu três AVCs e perdeu os dois rins, o que a obrigava a fazer hemodiálise três vezes por semana. Como se não bastasse tudo isso, contraiu uma infecção na bexiga e recentemente teve que amputar a perna esquerda.
Para o radialista Acir Antão, da Rádio Itatiaia, “Helena Penna lembra uma outra Helena, a Ribeiro, que pontificou no rádio mineiro cantando na Inconfidência e na Guarani. Ambas da mesma cor e com o mesmo timbre de voz, a mesma bossa e o mesmo balanço”.
O jornalista, pesquisador e ex-colunista de música Carlos Felipe destacou na cantora seu potencial de voz: “Helena apresenta aquele timbre meio a meio, entre o contralto e o barítono, reforçado por uma sonoridade que impressiona a todos os que a ouvem cantar”.
Por essas e outras, o Prêmio Sharp foi conquistado por unanimidade, despertando elogios de jurados como Cássia Eller e Cauby Peixoto. Na condição de presidente do júri, o produtor e pesquisador Zuza Homem de Mello comentou na ocasião que “Helena Penna é uma das maiores revelações da MPB. Ela é a grande cantora que o Brasil precisa conhecer”.
O resultado imediato da premiação foram participações em programas de rede nacional, como Sem Censura, apresentado por Leda Nagle pela TVE, e Jô Soares Onze e Meia, pelo SBT. Em março de 1998, Helena abriu o show de Elba Ramalho na Praça da Estação, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Também se apresentou em Cuba e na Itália, e foi coroada rainha conga em Diamantina, tendo como rei o bailarino e coreógrafo Evandro Passos. Seu nome é verbete no Dicionário Cravo Albin da MPB.
O violonista e produtor Geraldo Vianna, que cuidou dos arranjos e da direção artística de seus dois CDs, lembra que “há cantores que cantam e encantam... Helena, quando em estúdio, entoou as primeiras notas de ‘Caprichos do destino’ e me fez chorar. No peito, o coração calou e repensou a arte. A ela eu rendo meus sinceros agradecimentos por ter me feito transcender as barreiras da técnica e da sensibilidade, buscando e acreditando no sentido maior da arte: o amor”.

Nenhum comentário: