15 de fev de 2012

ESTRÉIA NACIONAL: AHTEIA
O espetáculo, concebido por Emerson Calado (Cordel de Fogo Encantado) e  Márcia Gelape (Garcia y Lorca Tablao Flamenco Itinerante), recita, canta e dança o sertão, formando uma teia de informações culturais – origem do nome.



















Acontece nos dias 1º, 2 e 3 de março, quinta a sábado, às 21h30, no Pátio Espanhol (Av. Contorno, 4035 – São Lucas – BH – MG), a estréia nacional do espetáculo AHTEIA.

Surge uma nova perspectiva artística diante de pesquisas e vivências de Emerson Calado (Cordel de Fogo Encantado - Recife/PE) e Márcia Gelape (Cia de Dança Garcia y Lorca). Juntamente com Tonino Arcoverde (compositor - Recife/PE), Joaquim Izidro (músico - Recife/PE) e Noemi Gelape (GarciaLorca Produções) concretiza-se a formação de uma teia de conhecimentos e experiências individuais. Cada um traz consigo sua arte e sua origem que compõem um mosaico inovador, dando vida a banda e ao espetáculo Ahteia.
A união dos músicos do Nordeste brasileiro com o teatro e dança em Minas, remete a similaridade cultural entre os dois estados devida aos processos de migração dos sefarditas (judeus espanhóis vindos de Andaluzia) que chegam até Minas Gerais. O Estado torna-se então o maior no mundo com em número de descendentes de sefarditas.
Atheia tem: Direção geral: Emerson Calado e Márcia Gelape; Direção artística: Márcia Gelape; Direção musical: Emerson Calado e Produção: Noemi Gelape.
No elenco: Ana Sampaio, Anderson da Matta, Dudé Carnero, Eduardo Passalo, Juliana Íris, Alejandro Garcia, Bruno Mendes, Márcia Gelape e Noemi Gelape. Execução musical: Emerson Calado e Tonino Arcoverde.

A TEIA:
Tonino Arcoverde tem sua referência pessoal naquela região do sertão do Moxotó onde Lampião refere-se como a fronteira de seu estado, Rio Branco, antigo nome da cidade de Arcoverde. Emerson Calado tem em seu sangue os índios Xucuru, de Pesqueira, agreste de PE, tornado-se um silêncio inquieto em busca de palavras que encontra nos sons dos tambores. Joaquim Izidro, natural da região do Cariri, carrega consigo toda a saga religiosa nas suas poesias, herança geográfico- afetiva do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto. Marcia Gelape descendente dos sefarditas de Morro Vermelho- MG, local de início da Guerra dos Emboabas e palco da primeira eleição direta das Américas, tem sua arte totalmente influenciada pelo espírito revolucionário e autêntico, juntando coragem de inovação com respeito às tradições familiares.

AHTEIA:
“Através das várias linguagens que possuímos buscamos a limpidez da origem delas pela história do sertão brasileiro, que pelos seus processos imigratórios e migratórios, acabou nos proporcionando um banco de dados para a pesquisa da origem de nossas crenças e nossos costumes. Homenageamos povos que foram perseguidos pela inquisição, pelos coronéis e pelos preconceitos descabidos difundidos em nossa sociedade atual. Partimos da premissa de que um povo sem origem é um povo perdido, em busca de identidades e raízes e que talvez essa divulgação possa voltar os olhos modernos para a valorização da cultura brasileira em sua enorme riqueza. Atheia traz a possibilidade de uma história transparente poetizada em forma de espetáculo onde cada origem torna-se uma pequena mostra do que se tornou hoje na cultura brasileira e de sua gratidão enorme aos antepassados.”

No espetáculo:

Entre as performances em Ahteia, está o Soleá da Seca, em ritmo flamenco mesclado com a viola caipira harmoniosamente tecidos entre si. As culturas brasileira e flamenca, surgem intensas, com sapateados flamencos em musica de Minas e Recife.

Um dos numeros é em Ladino (espanhol e latim), música esta que foi cedida pelo rabino da sinagoga de Recife para mostrar os serfaditas e nossa cultura, cantada por Fortuna, uma das grandes cantaoras de Flamenco.

Márcia Gelape (Cia de Dança Garcia y Lorca)
Sua formação artística começou quando criança em ballet com Joaquim Ribeiro, dança de salão com Leo e Elaine (Pé de Valsa); dança afro com Márcio Valeriano e em piano com César Buscaccio, referência em Minas Gerais, tendo estudado por doze anos além do piano, teoria musical, porém sempre se destacou escutando músicas e transcrevendo-as para partitura de forma autodidata.Em 2002 assume a direção artística da Cia. García y Lorca, roterizando, dirigindo, coreografando, lecionando e atuando como primeira bailarina e atriz. Cria os espetáculos Amor Torero (2003); Aldeia Flamenca- Quadros flamencos (2003); Romeu + Julieta (2004); La Boda (2004); El Romance Gitano (2005); Aldeia Flamenca- Fusion/ Paixão (2006); La Boda (2007); Carmen (2007); Aldeia Flamenca- Soniquete Moderno (2008); Sertão Andaluz (2009). Todos espetáculos foram concebidos, dirigidos, coreografados por ela. No campo de pesquisa destaca-se com o projeto empírico onde constata as raízes flamencas da música brasileira, abrindo um horizonte de resgate cultural e de descoberta da origem de modos e costumes do sertão de Minas Gerais até Pernambuco. Trabalho pioneiro qual registra sobre o nome de flamenco regional brasileiro. Logo em parceria com Chico Lobo compõe músicas que são o primeiro registro desta descoberta, contidas no espetáculo Sertão Andaluz e tem o apoio do grupo regional pernambucano Cordel do Fogo Encantado chegando até a apresentarem-se juntos. O espetáculo é levado em turnê por Minas Gerais no ano de 2009 em parceria com Saulo Laranjeira. Em 2010 estréia as peças Crepúsculo do sentido e Depois do crepúsculo, ambos roterizados e dirigidos por ela. Além destes trabalhos participou das montagens de Carmen (direção de Bibi Ferreira, Palácio das Artes- 1999);Bolero de Ravel (2001); Amargo (2001); Villancicos (2001); Aída no Palácio das Artes em 2001 e 2002. Coreografou as óperas apresentadas em teatro municipais: La Traviatta (2003); Flauta Mágica( 2004); Viúva Alegre (2005); Flauta Mágica (2006) em parceria com o Palácio das Artes sob direção de Francisco Mayrink. Foi indicada pelo prêmio Sesc/ Sated em 2006 a melhor bailarina, melhor espetáculo ( El Romance Gitano), melhor trilha sonora ( El Romance Gitano) e melhor direção.

Emerson Calado . PE (Cordel do Fogo Encantado)
Descendente dos índios Xuxuru da Ororubá na divisa do agreste com o sertão Pernambucano, o percussionista iniciou suas atividades artísticas na metade dos anos 90 no município de Arcoverde, sertão do estado. Em 99 passa a integrar a banda Cordel do Fogo Encantado.Em 2001 o músico realizou sua primeira excursão com a banda à Europa, visitando a Bélgica, onde se apresentou no Sfinks Festival na cidade de Antuérpia; em seguida foi a Alemanha, onde fez apresentações no Stimmen Festival, na cidade de Lorrach; participou do UFA Fabrik, em Berlim e do Summer in the City Festival, em Frankfurt e a França, onde fez apresentações no Square Maurice Gardette, no Square Carpeux, no Jardins du Luxembourg e no Favela Chic, no Festival Quartiers D'éte, em Paris. Em 2005 se apresentou no festival Midem, Cannes - França. No ano de 2006 participou do FMM Sines - Portugal. Em sequencia em 2007 se apresentou no evento: Viseu a 15 do 6,Viseu - Portugal.Dividiu palco com artistas como: Naná Vasconcelos, Amilton de Holanda, B-negão, André Abujanha, Otto, Junior Barreto, Babi Assadi, Milton Nascimento, Cannibal Santos, Tom Zé, Chico Cezar e teve na sua discografia produção musical de Carlos Eduardo Miranda e Skott Hard. Participou de programas de TVs como: Fantástico, Altas horas, Jô Soares, Ação, Jornal Hoje, Som Brasil (DVD) e Video Show (TV Globo). Festival de Musica da tv Cultura,Programa Metropoli: Especial Cordel do Fogo Encantado. Foi destaque na coluna "Mão na massa" do site showlivre.com e na matéria " Set do Batera" da Revista Batera.Participou dos filmes "Deus é Brasileiro" (2003) e "O Homem que Engarrafava Nuvens" (2009). Como também da Campanha cerveja Brahma no carnaval (2004) e da cerimônia de abertura do PAN 2007.Discografia: Cordel do fogo Encantado 2001; DVD Música Brasileira 2001; Entrada para Raros - Teatro Mágico 2003; O Palhaço do Circo sem Futuro – Cordel do Fogo Encantado 2003; Verde - Badi Assad 2004; DVD MTV Apresenta – Cordel do Fogo Encantado 2005; Transfiguração – Cordel do Fogo Encantado 2006; DVD Som Brasil - Milton Nascimento 2007; Frevo do Mundo – 100 anos do frevo 2007; Desconserto - Água de Quartinha 2008; Briga na Zona – DDO 2009; Depois da Chuva – Tonino Arcoverde 2011;DVD Quatrofonia 2011
Tonino Arcoverde . PE
O Cantor e Compositor, nasceu em 19 de agosto de 1959, em Palmares/PE. Começou sua carreira artística nos anos 80. Radicado em Arcoverde, sertão de Pernambuco,por cantar as belezas e histórias acabou recebendo como sobrenome artístico o nome deste lugar. Festivais e eventos: Festival de Inverno de Garanhuns – PE (seis edições); selecionado pelo VII festival de vídeo de Pernambuco FUNDAJ com o clipe da musica: “Colméia” (2005); Projeto "+ MPB" abrindo shows de Toquinho; Projeto "Seis e meia" com Wagner Tiso; Projeto "Mpb Petrobrás" com João Bosco e Projeto "Pixingão" com Renato Borgetti.Dividiu palco com os artistas: Tavinho Moura, Paulinho Moska, Paulo Diniz, Fagner e Sa grama.Participou de programas de TVs e Rádio como: Som Brasil com Lima Duarte e Rolando Boldrim por várias vezes; Programa Balancê na radio; Excelsior com Fausto Silva.Discografia: LP “Na Hora dos Bondes”(1992), relançando em CD em (1998); “Dança das Abelhas” (2005) com participação dos músicos Vital Farias e Clayton Barros; “Chuva” (2007).Participou da gravação do CD "Sertania" com duas músicas de sua autoria, sendo uma delas interpretada por ele. Participou do DVD “QUATROFONIA” tocando cinco músicas de sua trajetória e vem divulgando o seu mais recente disco "Depois da Chuva” (2011) que aborda os lendários contos do imortal João Batista de Siqueira “Canção”, poeta e escritor do Sertão Pernambucano de formas de escrita comparadas ao Lirismo de Castro Alves.
Noemi Gelape (García Lorca Produções)
Começa sua formação artística aos treze anos no Palácio das Artes onde se profissionaliza como bailarina clássica e professora de ballet clássico. Como integrante do corpo de baile da fundação Clóvis Salgado sob direção de Carlos Leite participa de diversas óperas, operetas e montagens de repertório de ballet. Em paralelo cursa Direito e Psicologia na PUC- MG. Cursa flamenco com Fátima Carretero e integra a Cia Los del Rocio realizando os trabalhos Carmen ( direção de Bibi Ferreira Palácio das Artes), Amargo, Bolero de Ravel e Villancicos.Em 2001 assume a direção de produção da Cia de Dança Flamenca Garcia y Lorca onde participa como bailarina dos espetáculos dos Amor Torero (2003); Aldeia Flamenca- Quadros flamencos (2003); Romeu + Julieta (2004); La Boda (2004); El Romance Gitano (2005); Aldeia Flamenca- Fusion/ Paixão (2006); La Boda (2007); Carmen (2007); Aldeia Flamenca- Soniquete Moderno (2008); Sertão Andaluz (2009).Além destes trabalhos participou das montagens de Aída no Palácio das Artes em 2001 e 2002. La Traviatta (2003); Flauta Mágica( 2004); Viúva Alegre (2005); Flauta Mágica (2006) em parceria com o Palácio das Artes sob direção de Francisco Mayrink. Em 2010 cria sua produtora García Lorca Produções onde promove vários eventos e artistas em todo Brasil.
GARCIA Y LORCA:
A origem do nome “Cia. García y Lorca Multiarte” vem da concepção de união entre dança e teatro. De um lado usamos o García, sobrenome de um dos fundadores como representatividade dos bailarinos e da dança. De outro o Lorca, referindo-nos ao trabalho magistral de Federico García Lorca, poeta, teatrólogo, comediante, escritor e flamencólogo, que com seu teatro itinerante viajou toda a Espanha divulgando o flamenco como poesia, dança, teatro e até mesmo uma forma de manifestação filosófica crítica aos regimes absolutistas e a repressão do povo que possuia culturas e valores diferentes de quem estava no poder. Foi considerado um revolucionário, homem de idéias brilhantes, sendo fuzilado pelo regime franquista na cidade de Granada em 1936 . A Cia. García y Lorca Multiarte, fundada em 2001, mescla de forma sublime arte do flamenco e sua derivação no Brasil. Através de estudos e pesquisas a Cia. encontra o flamenco em terras brasileiras devido a processos migratórios por diversas razões, sendo a mais marcante delas a inquisição. Podemos notar esta influência na expressão cultural de diversas maneiras: música, poesia, canto, dança e literatura. Desta forma a Cia. vem difundindo este lado tão desconhecido de influência na formação da cultura brasileira, acreditando sempre que esta arte é uma composição teatro-dança (ballet teatro), não podendo ser vivida de forma separada, pois fala da vida, do sofrimento, da dicotomia tristeza/alegria, ou alegria apesar da tristeza, do dia a dia de um povo que teve por muitas vezes que abrir mão de sua cultura e aceitar o que era novo para sobreviver agregando assim a ela novos significados culturais. Multiarte: A companhia surge de uma ideologia multidisciplinar. Após grande experiência com espetáculos de dança e representação, fica claro o enriquecimento artístico proporcionado por diversas modalidades cênicas representadas simultaneamente. O espetáculo quando assim concebido ganha mais consistência, veracidade e beleza. O artista se torna livre para a utilização de recursos diversos dentro do seu saber, que sempre pode e deve ser agregado com novas experiências e aprendizagem. Assim o artista não é definido com um rótulo, ele surpreende com várias qualificações: se torna multiartista. Com este processo empírico e pioneiro da dança- teatro e com conhecimentos científicos em psicologia e aprendizagem, é criado o método de aprendizagem globalizada em dança associado à emotividade (MAGEDAE) e em seguida desenvolve-se a técnica nomeada Psicomultiarte e vivências grupais, onde a partir do próprio grupo elaboram-se questões emocionais utilizando o conceito de pluralidade artística.A causa ganha proporção ideológica: divulgar cultura, resgatar cultura, multiplicar cultura. O flamenco regional brasileiro ganha a companhia da inovação do séc. XXI, tendo renascido em 2007 e se integrando a movimentos de dança-teatro contemporâneos. Vem então o desejo de criar algo no plural e surge a palavra multiarte como pilar da Cia. no sentido de agregar o velho e o novo com a emoção e a angústia existencial do ser humano, que é a motivação do criar.

CONHEÇA:
http://www.garciaylorca.com/


Garcia y Lorca – Tablao Flamenco Itinerante apresenta
Estréia nacional de
ATHEIA
1º, 2 e 3 de março, quinta a sábado, às 21h30
Pátio Espanhol
Av. Contorno, 4035 – São Lucas – BH – MG
Ingressos: R$15,00 (quinze reais)
Reservas: (31) 33244035
GARCIA LORCA PRODUÇÕES – NOEMI GELAPE
http://garcialorcaproduc.blogspot.com

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