14 de fev de 2012














(descrição foto: dança das muletas, imagem do solista Dergin Tokmak, em soo sobre muletas, pernas "em vôo" - foto: David Brown)

Em uma floresta profunda, no cume de um vulcão, existe um mundo extraordinário onde tudo é possível.” Este é o cenário mágico de Varekai, criado e dirigido por Champagne, que traz no seu curriculum a glória de escrever e dirigir The Beatles – LOVE. Varekai (pronunciado ver•ay•’kie) significa “onde quer que seja” na linguagem cigana, os eternos viajantes já foi assistido  em mais de 15 países ao redor do mundo. A turnê veio ao Brasil, apresentada por American Express® Membership Cards, com o patrocínio exclusivo  do Bradesco e a realização da TIME FOR FUN.
Tudo que se diga a respeito do Cirque du Soleil pode ser redundante.
Impecável, sempre, toda e qualquer performance nos remete a um universo de sonhos.
Com Varekai não é diferente. Um  mergulho no mundo da fantasia e a concretização do que parece impossível, ver o homem voar!
É assim que os artistas acrobatas deslizam pelo céu da tenda do Cirque. Leves, quimeras esbanjando talento e técnica, fruto de esforços incansáveis em benefício da arte e da superação de limites. Teatro, dança e música, se integram em harmonias indizíveis.
Iluminação perfeita, som translúcido. As vozes dos solistas, o coro e instrumental puramente celestiais. A tecnologia atual, a técnica apurada com ousadia, e a instigante garra dos artistas se funde à delicadas  interferências que reverenciam a origem do circo e suas tradições, com um humor agradável e leve em um espetáculo dinâmico, que prende o olhar do início ao fim, sem buracos, redondo.
A equipe é internacional, representando 25 nacionalidades: Canadá, Estados Unidos, Rússia, Austrália, Espanha, China, Itália, Ucrânia, Reino Unido, Brasil, Alemanha, Georgia, Azerbaijão, Bielorrúsia, França, Casaquistão, Holanda, Argentina, Bélgica, Hungria, México, Nova Zelândia, Sérvia, Suécia e África do Sul.
Esta miscelânea de origens faz com que o revezamento dos personagens em cena se torne ainda mais fascinante, ainda que a história não venha segmentar as nacionalidades, mas, as faces e tipos físicos nos transportam para outras essências que, certamente, estão impressas na estrutura de cada artista, em alquimia alma+transpiração.

O VALOR À INCLUSÃO
"Que as pessoas possam ver que nenhum obstáculo é grande demais ou demasiado restritivo para dançar. A minha mensagem como artista é mostrar ao mundo que há uma alma criativa em todos, com ou sem uma deficiência." (Dergin Tokmak)
Navegando pela internet você terá sinopses, comentários e críticas sobre o espetáculo, por isso, nem me atrevo a faze-los. Mas, um aspecto especial me encantou em particular e, certamente, é ponto alto do espetáculo para todos que o virem.
Trata-se do “Solo on Crutches” – a dança das muletas. Momento digno de aplausos e respeito pela atenção do Cirque à inclusão de portadores de deficiência - aspecto que se torna secundário, diante do talento tão capaz do solista.
O Solo em muletas é a criação de Bill Shannon artista performático "o CrutchMaster", que é conhecido por sua "técnica de Shannon" de dançar de muletas. Esta técnica é uma mistura de skate e estilos de dança de rua com o uso de muletas axilares modificados.Shannon foi diagnosticado com doença de Legg-Calve-Perthes (uma condição dolorosa que afeta o desenvolvimento dos quadris), aos 5 anos. Ele foi originalmente solicitado a realizar em Varekai, mas recusou. Porém, concordou em coreografar uma dança em seu estilo para o show.  
A versão original de Varekai traz uma dançarina sem necessidades especiais. No entanto, atualmente, o espetáculo conta com o talento digno de Dergin Tokmak.
“Dergin Tokmak nasceu 26 de dezembro, 1973 em Augsburg, Alemanha. Dergin contraiu poliomielite com 1 ano de idade e  perdeu o controle de sua perna esquerda e algum do controle do seu direito. Ele passou grande parte de sua infância em hospitais alemães submetidos a tratamentos para tentar restaurar a plena utilização de suas pernas, sem sucesso. Sempre um sobrevivente, Dergin aprendeu a andar em suas mãos. Aos 12 anos, Dergin assistiu ao filme  "Breakin '". Cerca de dois terços do filme é um solo executado por Eddie "Handyman" Rodriguez, um dançarino que não tem nenhum uso das pernas. Dergin inspirou-se na dança para aperfeiçoar o seu próprio estilo de dança com muletas.
Com o tempo tornou-se Dergin imerso na cena da dança break e HipHop na Alemanha.
No começo, ele dançou em clubes de jovens e estúdios de dança. Como todos os breakdancers, ele tomou um nome de rua: "Stix". Em 1990 formou sua primeira Dergin HipHop grupo de dança, (Da Funk funk nação unida krew) com oito pessoas
Dergin  ficou em primeiro lugar num concurso europeu dança de rua em 1993. Durante 1994 e 1995, ele viajou para FILA e Champion. No ano seguinte ele atuou em programas de televisão na Alemanha e Suíça. Então, uniu-se ao C-Block, um grupo de HipHop comercial para uma turnê de um ano da Europa em 1998. Ele foi para os EUA, em 2001, para as férias de primavera em Daytona, onde dançou e fez um trailer para a TV Entertainment Television rede Negro” (fonte: http://derginflies.org)
Entrega, dedicação e exercício contínuo. E então, veio o Cirque du Soleil, onde a dedicação precisa ser ainda mais intensa, a entrega necessária  e, certamente, o artista que permanece, encontra sua missão.
A Dança das Muletas e o solo de Dergin nos convidam a olharmos para nossa capacidade de superação, em todas as áreas. A dedicação, coragem e o tempo transformam qualquer realidade para melhor, sempre.
Um vôo pássaro em sonho de um Ícaro sem asas, que de repente brilha eternizando sua presença. Algo nesta cena, toca o sagrado e me recolho na reflexão e aplausos para  mais este exemplo de superação. Aqui, já não se trata mais de deficiências ou aspectos físicos, através da dança, contemplamos o Ser. Fiquem com ela. Encantada.
Márcia Francisco (fevereiro de 2012)
(segue: video com a Dança das Muletas e o solo de Derek)

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